Fala Quem Sabe – João Abreu

Posted: 15 15UTC Maio 15UTC 2011 in Fala Quem Sabe

O futebol é a modalidade desportiva mais abordada nos meios de comunicação social em Portugal, retirando, muitas vezes, espaço às restantes modalidades. João Abreu, jornalista da Sic Notícias e apresentador do programa Tempo Extra, considera ser uma questão importante no jornalismo português e explica-nos a sua visão sobre o assunto.

«A meu ver, prende-se única e exclusivamente com o fenómeno de massas. Os meios de comunicação social são tão mais lucrativos quanto maior a audiência que tiverem. Assim, e sendo o futebol o mais transversal dos fenómenos desportivos, em Portugal e não só, é natural que o jornalismo desportivo se dedique quase exclusivamente ao futebol.

A meu ver há um claro déficit de cobertura das modalidades, e essa realidade vai continuar a existir enquanto o futebol apresentar excelentes resultados, quer na televisão quer na imprensa escrita. Não há nada a fazer, é a lei da oferta e da procura a funcionar em pleno. Temos alguns bons exemplos de “pluralidade desportiva” nomeadamente no Canal 2 e na Sport Tv, mas são meios muito específicos e que só sobrevivem porque ainda conseguem manter-se à parte do mercado. A 2 é um canal público, com todo o conforto financeiro que isso representa, e as modalidades na Sport Tv chegam ao espectador por acréscimo do produto principal que é o futebol.

Durante muitos anos ouvi críticas ao jornal de desporto da Sic Notícias por ser um produto completamente virado para o futebol. A verdade é que as audiências davam-nos razão. Chegou-se a fazer experiências e colocar o futebol para o fim do alinhamento e não deu nada certo.

Na realidade, as modalidades só existem nos principais meios de comunicação na medida em que alcançam sucesso, ou seja, se um atleta nacional conseguir um resultado importante, então puxa-se por esse acontecimento enquanto fenómeno aglutinador de massas e onde a projecção de Portugal no mundo é de facto marcante. Caso contrário, o público continua a gostar de saber o que se passou no treino da manhã do Benfica, Porto e Sporting, quais as ausências, as contratações, e as projecções dos jogos.

Por exemplo, se “espremermos” bem as emissões especiais que antecedem um jogo grande, a verdade é que a informação contida é geralmente irrelevante e redundante. Está-se a falar de algo que ainda não aconteceu e como tal ninguém sabe o que se vai suceder. Mesmo assim, são emissões que trazem elevados níveis de audiências. O mesmo é dizer, a publicidade fica mais cara e os canais com mais dinheiro.

Para concluir, é claro que as modalidades são pouco tratadas em Portugal, no que diz respeito aos órgãos de comunicação que chegam a públicos mais vastos, e essa realidade só é assim, porque as empresas, aqui como em qualquer sítio do mundo, só existem e permanecem se continuarem a apresentar lucros, caso contrário não são rentáveis e não podem continuar a existir enquanto fornecedoras de serviços e enquanto entidades empregadoras.»

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Sofia Brum (sofiabrums@gmail.com)

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